sábado, 7 de julho de 2018

Sem título IV

16 junho 2018

Há muito tempo meu coração
já não mora no meu peito
vive escondido, apertadinho,
no bolso de certo sujeito
Eu quase não me importo que ele
nem de vez em quando dê uma olhada
no pobre coraçãozinho a soluçar no bolso
da blusa ou da calça, doce morada
No futebol, entre cartas, no cinema,
sopa de capeletti ou calzone de vó
maltrata e deixa de lado o palpitante objeto
que ora derrete, ora vira pó
Tudo parece mais frio e cinza do lado de fora
viadutos, parque, fumaça de carro e cigarro
ainda dá pra sentir o calorzinho de longe,
mas hoje meu coração está em São Paulo


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